.: Lar de Joaquina

..: Como surgiu a idéia da criação do LAR DE JOAQUINA

Segundo anotações históricas da Sociedade Espírita Estudo e Caridade (SEEC), em 09 de março de 1932 houve uma reunião mediúnica, onde comunicou-se um amigo espiritual que dizia ser o humanitário Dr. Pantaleão. A certa altura da comunicação, ele dizia:

 

Os pobres, os coxos, os cegos, os doentes da alma e do corpo aí estão aos vossos cuidados. Urge que estendais a mão protetora. Ainda com dificuldade, não é impossível.

Os espíritos não morrem e sentem como vós prazer em auxiliar as criancinhas que sofrem... Avante! Os órfãos que não conhecem os carinhos paternos têm em vós a esperança. Os indigentes progenitores que, rodeados de numerosos filhos, vão perecer de um a um no erro, na ignorância, e levarão ao Pai uma oração por vós, os protetores. O homem doente e sem recursos, minado da mais ingrata enfermidade, verá em vós a mãe, a enfermeira, a protetora carinhosa e um bom pensamento para baixar sobre vossos filhos a Paz, a Luz e a Proteção do Senhor...

 

A comunicação mediúnica do humanitário Dr. Pantaleão, motivou um grupo de criaturas formadas pela Diretoria da SEEC, com participação decisiva da Sra Joaquina, como contam as anotações da SEEC:

 

Embora enfrentando dificuldades de várias naturezas iniciou os primeiros passos para a criação de um modesto LAR, mas "Deus" que observava a sinceridade de seus filhos, mandou-nos ao encontro uma Senhora de nome Joaquina Flores Carvalho (Dona Quinota), que pôs à disposição seu único e humilde teto, localizado à Rua Barão do Triúnfo, 185, e sua total participação para que a SEEC recolhesse ali os pequeninos lírios nascidos no lodo do mundo e que ela (Dona Quinota) queria com permissão da sociedade, cuidar das criancinhas ali recolhidas. Nossa alma chorava de alegria, porque tudo vinha ao encontro de tão almejado desideratun e foi então feita uma prece a Deus em agradecimento (palavras da Sra Florina da Silva e Souza, uma das fundadoras da SEEC e do Abrigo).

Transcorridos alguns dias, em 31 de março de 1932 chegava de Silveira Martins, uma Senhora cansada e doente, trazendo pela mão uma criança nas mesmas condições citadas na mensagem. Declarou estar sem recursos, com o marido paralítico e um filho tuberculoso, por isso nos entregava aquela filha (uma menina de oito anos), que no mesmo dia ao entardecer foi recebida de braços abertos no humilde teto de D. Quinota - Como era conhecida Dona Joaquina.

 

Primeiras seis Internas do Abrigo, localizado à Rua Barão do Triunfo, 1718 em Santa Maria/RS (Residência de Senhora Joaquina Flores de Carvalho). Clique na figura para ampliar.

 

Era a primeira abrigada que chegava àquela casa lar, que foi nomeada de Abrigo Espírita Instrução e Trabalho, nome escolhido pela Diretoria da SEEC. Destaca-se a participação e o empenho na criação do abrigo pela Sra Florina da Silva e Souza e demais membros da Diretoria da SEEC no ano de 1932.

 

..: Quem foi dona Joaquina

Joaquina  Flores de Carvalho, (20/06/1869-16/07/1935) foi a 1ª Diretora do Abrigo e dedicou-se inteiramente às atividades propostas, de forma a oferecer às crianças necessitadas de assistência o conforto, o carinho e o Lar da melhor forma que podia, substituindo integralmente os pais e familiares ausentes, doentes ou falecidos. Foi casada com José Pedro Carvalho, não tendo filhos. Segundo registro da SEEC, quando já era viúva (o esposo faleceu em 1923) vivia em sua humilde casa, na Rua Barão do Triunfo, 1718 em Santa Maria. Por estar passando por dificuldades, através de uma carta solicitou ajuda à Sra Florina da Silva e Souza e esta foi levar-lhe auxílio exatamente três dias depois de recebida a comunicação do Espírito que assinava Dr. Pantaleão. Após a visita, que incluía o convite para D. Joaquina passar alguns tempos em sua residência, contou-lhe sobre a comunicação que havia recebido. Após a reflexão de alguns instantes, a Sra. Joaquina surpreende sua benfeitora com a oferta para a utilização de sua casa por dez anos, gratuitamente, além de sua integral participação nos trabalhos, para instalar ali o Abrigo. Dias depois, em 31 de março de 1932, iniciaram-se as atividades propostas pela comunicação do benfeitor espiritual Dr. Pantaleão. Em homenagem à doadora do local onde se instalou o abrigo, o mesmo recebeu o nome de Lar de Joaquina, como é conhecido até a presente data.

 

Senhora Joaquina Flores de Carvalho. Fundadora do Abrigo.

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A casa não tem registros dos últimos tempos da Sra. Joaquina. As últimas informações recebidas são de pessoas que conviveram com ela no Abrigo, na situação de internos, como é o caso da Sra. Zulmira Machado, primeira abrigada, e Olmira Machado, segunda abrigada, além da Professora Orestina Mesquita, segunda professora do Abrigo a partir de 1935. Segunda a profª Orestina, a frase "Minha filha, nunca esqueça que as pessoas têm que ter honestidade, fé e força para praticar o bem" era freqüentemente pronunciada pela Sra. Joaquina.

Joaquina faleceu aos 66 anos, acometida de câncer, e sua morte foi muito sentida entre as internas e demais companheiros do Abrigo e da Sociedade mantenedora.

 

..: Quem foi Pantaleão José Pinto

Pantaleão José Pinto (30.05.1841-08.12.1906) era casado com Ana Becker e teve cinco filhos.

Conforme a professora Ignês Sofia de Vargas, em artigo do jornal da SEEC, edição abril/junho de 1997, pag. 3, Pantaleão José Pinto foi o primeiro santa-mariense a formar-se em medicina, e era personalidade destacada da política e da vida social de Santa Maria.

Pantaleão esteve nos campos de batalha do Paraguai como cirurgião das ambulâncias para socorrer feridos. Terminada a campanha, Pantaleão retornou ao curso no Rio de Janeiro, concluindo-o com uma tese sobre o colera morbus, doença que muito tratou no Paraguai, por ocasião da guerra.

Republicano veemente, abdicou à Comenda da Rosa que lhe seria outorgada pelo governo imperial.

Consta ainda em sua biografia que se bacharelou também em letras no colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em 08 de dezembro de 1861. Em Santa Maria, o jovem médico concentrou-se literalmente em sua profissão, exercendo a medicina humanisticamente, sendo cognominado "o pai dos pobres".

Pantaleão José Pinto foi encontrado morto na rua Visconde de Pelotas entre as ruas Venâncio Aires e Silva Jardim no dia 17 de julho de 1906, numa madrugada muito fria e encontraram em seu bolso uma receita que mandaria preparar para uma pessoa tuberculosa, possivelmente estaria voltando da casa do doente.

Sendo o Dr. Pantaleão Pinto homem muito estimado, sobretudo daqueles a quem ele ajudava, no dia do seu desencarne, o público compareceu maciçamente ao seu velório e sepultamento, manifestando suas derradeiras homenagens.

Em nossa cidade, a homenagem a Dr. Pantaleão vem através de nome de rua e de uma instituição espírita da Aliança Espírita Santa-mariense. Na Sociedade Espírita Estudo e Caridade, onde é tido como benfeitor espiritual, é muito considerado, e vem se comunicando permanentemente nas reuniões mediúnicas. Para deixar sua presença mais destacada, a SEEC expõe um retrato do Dr. Pantaleão, pintado pelo artista plástico Eduardo Trevisan.

As anotações históricas da SEEC mostram que a comunicação mediúnica do espírito Pantaleão José Pinto impulsionou a criação do Abrigo Espírita Instrução e Trabalho. Ele é considerado um dos mentores espirituais da SEEC, pela simpatia e comprometimento que vem demonstrando pelas atividades da instituição ao longo dos anos. Desde a fundação da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade as palavras " caridade e estudo" traduziram o pensamento inspirador das fundadoras. 

 

..: Inauguração oficial do Abrigo

Com a inauguração oficial do Abrigo, ficou selado o compromisso desta Entidade que começa sua caminhada e segue com o tempo. Como vários documentos citam, o início das atividades do Abrigo foi em 31 de março de 1932, mas somente em 31 de março de 1933 foi inaugurado oficialmente, segundo as Atas 38/39 do ano de 1933.

 

Foto datada de 31 de Março 1933, na inauguração do Abrigo. Clique na figura para ampliar.

 

Por ocasião da inauguração, a Presidente da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade era a Sra. Florina da Silva e Souza. A seguir transcrevem-se as duas Atas na íntegra, que dão a idéia de sua estrutura inicial.

 

Ata 38/33

Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de 1933, tendo sido convocadas a diretoria e todas as sócias da Sociedade Espírita Feminina 'Estudo e Caridade' para comparecerem em casa de nossa cara e esforçada Irmã Presidenta Florina Silva e Souza a fim de tratar-se assunto de máxima importância e não tendo comparecido todas, resolvemos e com as poucas que estiveram presentes, o seguinte: Inaugurar-se oficialmente a 31 de março próximo, o Abrigo denominado 'Instrução e Trabalho' que há um ano foi fundado sob os auspícios desta sociedade e vem sendo pela mesma mantida, à Rua Barão do Triunfo, 185, em casa de Sra. Joaquina Flores Carvalho que para tal fim a cedeu conforme contrato que será lavrado entre a referida sociedade e esta dedicada Irmã que dirige esta casa desde sua fundação com zelo e amor. Ficou resolvido também nesta reunião que toda a pessoa que queira contribuir mensalmente para o Abrigo poderá fazê-lo na importância que quiser mediante recibo. Como nada mais houve a tratar encerramos a nossa palestra que para constar lavrei esta ata que será por todos assinada. Florina da Silva e Souza, Crisolina Cristóvão, Maria Altina do Ó, Nilza Gastal Bastides.

 

Ata 39/33

Nos trinta e um dias do mês de março de 1933, presente o representante do Sr. Major Prefeito Municipal Orion Edler, representantes das Sociedades Espíritas locais, feita a leitura do contrato entre a Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade e a proprietária do prédio em que funcionará o Abrigo, Sra Joaquina Flores de Carvalho, foi dado por inaugurado o mesmo abrigo que tomou o nome de 'Instrução e Trabalho' cujo fim é recolher meninas órfãs ou desamparadas. Falaram por ocasião desta ata os prezados irmãos, Dr Fernando do Ó e Sr. Octacílio Carlos Aguiar, que, em palavras cheias de carinho, mimaram as irmãs dirigentes da 'Estudo e Caridade' a prosseguirem nesta espinhosa jornada, hoje encetada e fazendo votos a Deus pelo seu progresso. E para constar lavro a presente ata, que será por todos assinada Orion Edler - Secretário Representante do Projeto, Fernando do Ó, Octacílio Carlos Aguiar, Crisolina Cristovão, Celanira Souza Schilling, Maria Altina do Ó, Nilza Gastal Bastide, Anita S. Barão, Joaquina F. Carvalho, Glória Aguiar Siveira, Mimosa Aguiar, Zulma L. L. Medina, Éster Costa Schroter, Elisabete Schroter, Maria Amélia Palma, Élvia P. Silva, Octacílio Segala, Jenny P. da Silva, Celso Saldanha, Universina Pereira Silva, Julieta Montebello, Alzira de Lima Monteiro, Catarina Montebello, Francelina Maia, Evange Maia, Celenira Vargas, Aristides Lemos, Domingos Lemos, Gabriel Luiz Fernandes, Leocádio Ferreira da Maia, Antonio da Silva, Alaídes R. Carvalho, Jeni Pires, Itelvina dos Santos, Alfredo Luiz Silva, Herecilia Nascimento, Antonio Joaquim Palma, Maria Eulina Flores, Judith Martins, Aline Beck Eggers, Nena Fernandes, Daniel Cristovão, Victor Caiaffo, João F. Souza, Laura Magno, Izaltina Bessa, Margarida da Rosa, Emma Schmidtt Pedrozo, Idelayres Pereira da Silva, Dolores Pereira da Silva.

 

..: Objetivo do Abrigo

Desde o princípio, o objetivo do Abrigo foi o de transferir para a prática a teoria da Doutrina Espírita aqui estudada e assimilada. Ao ser criado o Abrigo, logo foram se definindo tarefas básicas a serem realizadas em favor dos necessitados ali internados, tais como: Internato (Abrigo), Alimentação, Cuidados Médicos e Odontológicos. Além disso, o Ensino Escolar e Instruções para a vida, onde destacam-se: Bordado, Tricô, Crochê, Costura, Artes Domésticas, entre outros. Por isso, desde o início pessoas bondosas como a Sra. Joaquina e muitos outros voluntários, incluindo professores, médicos, dentistas e o Poder Público nunca faltaram a este Lar, que até os dias atuais, numa caminhada de mais de 70 anos e adequando-se à realidade do tempo, continua com os mesmos propósitos.

Desde sua fundação, em 31 de março de 1932 até 31 de dezembro de 1997, período em que o Lar manteve o regime de abrigo (internato), passaram por ele, como consta do Livro de Registro de Internos da SEEC, mais de 600 abrigados, a maioria com permanência prolongada na Entidade. É de se salientar também que muitos abrigados adentraram ao Lar em tenra idade. Cada um desses abrigados tiveram sua história particular nesta Casa.

Segundo a Ata n° 145 de 26 junho de 1959 da Assembléia Geral Extraordinária, o Abrigo Instrução e Trabalho passou à denominação de LAR DE JOAQUINA, pelo reconhecimento à Sra Joaquina Flores de Carvalho, pela sua influência na criação do Abrigo e sua participação como primeira Diretora e trabalhadora assídua em tempo integral, demonstrando sempre sua generosidade que era sua principal característica.

 

-EVOLUÇÃO-

 

Os textos abaixo trazem a evolução do Lar de Joaquina, quando ainda se chamava Abrigo Instrução e Trabalho,

 

..: Década de 1930: amparo à criança abandonada

Como era de se esperar, os primeiros passos do Abrigo Espírita Instrução e Trabalho que se desenvolveram na casa da Sra Joaquina, à Rua Barão do Triunfo, n° 185, foram de muitas dificuldades, porém estimuladas pelo idealismo, determinação e espírito solidário, com a causa da criança desamparada.

Foi em 31 de março de 1932 que a Sra. Florina da Silva e Souza e a Sra. Joaquina Flores Carvalho colocaram em funcionamento o Abrigo, quando receberam de Silveira Martins, a primeira abrigada, uma menina doente, nascida em 01 de abril de 1924, então com 8 anos, filha de mãe doente e pai paralítico, e que possuíam outros filhos, todos doentes.

Em 11 de junho de 1932 chegou ao Abrigo sua irmã, nascida em 08 de setembro de 1926, com 6 anos, segunda abrigada, também doente e em estado de miséria total.

Ambas foram tratadas com o máximo cuidado e muito carinho pela generosa Sra. Joaquina, Dr. Antonio Victor Menna Barreto e Dr. Olegário Maya (médicos) e Dra Praudelima H. Pinto (dentista), todos voluntários, que a partir desta época passaram a atender aos internos do Abrigo por longo tempo.

Um ano após, em 31 de março de 1933, (Conforme consta da Ata n° 39/33), o Abrigo foi inaugurado oficialmente, com a presença da Sra. Florina da Silva e Souza ( Presidente da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade), a Sra. Joaquina Flores de Carvalho e outros companheiros já citados no Histórico.

Em 1934, foi organizada no Abrigo a primeira aula, sendo a primeira professora a Senhorita Dolores Pereira da Silva. A aula inaugural aconteceu no dia 2 de maio daquele ano, com as primeiras seis internas, sendo elas: Zulmira Machado, Olmira Machado, Alexandra Machado, Maria Alda Ramos Moreira, Geni Coelho da Silva e Rita Aires da Silva.

Primeiras seis internas do Abrigo Espírita Instrução e Trabalho

 

No ano seguinte foi construída uma sala para aula ao lado do Abrigo. A senhorita Orestina Coelho substituiu a senhorita Dolores e deu continuidade como voluntária, sendo a segunda professora por muitos anos.

Em 8 de julho de 1934, conforme a Ata n° 46/34, a Diretoria da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, foi reunida com o objetivo de tratar da compra de um terreno para a construção de um prédio, onde pudesse dar mais amplitude ao funcionamento do Abrigo Instrução e Trabalho.

Mesmo tendo à disposição a casa da Sra. Joaquina, por 10 anos cedida gratuitamente, já havia a preocupação com a sede própria. Ficou acertado que uma comissão de duas senhoras visitariam o Prefeito, visando a alguma colaboração para o pretendido projeto.

Foram vários anos de trabalho e preocupação, principalmente após o falecimento da Sra. Joaquina, ocorrido em 16 de julho de 1935, quando assumiram os encargos as senhoras Luiza Souza e Orestina Coelho.

Em 08 de fevereiro de 1939, conforme a Ata n° 57/39, por ocasião da eleição da nova Diretoria, foi resolvida a nomeação da Senhorita Glória Pereira para o cargo de Diretora Assistente do Abrigo. Em 30 de março de 1939, conforme a Ata n° 58/39, o Abrigo foi incluído no Estatuto da Sociedade, fazendo constar que o mesmo estava a seu encargo. Nesta ocasião também foi criado o Primeiro Conselho Fiscal, composto pelos Senhores Ismael Valandro, João Souza, Octacílio Aguiar, Alfredo Silva, Silvio Binato e Mário Segala.

É digno de nota que, em 21 de maio de 1939, conforme a Ata n° 60/39, sob o patrocínio da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, foi fundada a Sociedade da Juventude Espírita de Santa Maria.

Em 06 de dezembro de 1939 conforme a Ata n° 62/39, aconteceu uma reunião convocada pela Presidente eleita para a gestão de 1940, Sra. Florina da Silva e Souza, com o objetivo de alugar para o ano de 1940, na Av. Ipiranga (Atual Av. Presidente Vargas), uma casa com amplos dormitórios e, de acordo com as exigências da lei, tendo em vista melhoramentos das abrigadas, quer moral, quer materialmente. Nesta reunião compareceu também como convidado o Sr. Osvaldo Coelho, (que no nosso entender deveria ter sido um dos familiares dos herdeiros da sucessão Bento Paixão Coelho, proprietário da casa e terreno na Av.Ipiranga, n° 1920), que estava sendo alugada para o funcionamento do Abrigo.

..: Década de 1940: destaque para o conforto e bem estar

De acordo com a Ata n° 63/40, de 10 de janeiro de 1940, assumiu a Direção do Abrigo a Sra. Deocila Dias Muniz.

Conforme Ata nº 64/40, de 15 de novembro de 1940, foi inaugurado o consultório médico na Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, mantenedora do Abrigo Instrução e Trabalho, para atender inicialmente as abrigadas e alunos da Escola Municipal que funcionava no mesmo prédio. A iniciativa teria sido do Dr. Amaury Lens e Antônio Victor Menna Barreto, comparecendo ao Ato autoridades e pessoas em geral.

Em 15 de janeiro de 1941, conforme a Ata n° 65/41, assumiu a Direção do Abrigo a Srª. Zulma de Oliveira.

Em 25 de março de 1943, segundo escritura pública, com registro no Cartório de Registro de Imóveis, sob número 11.535, a Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade adquiriu sua sede própria à Av. Ipiranga, n° 1920, casa que vinha sendo alugada desde 1940. A casa foi adquirida dos herdeiros de Bento Paixão Coelho, possuindo o terreno 28,05m de frente por 119,90m de fundos, com uma casa em forma de chalé.

Em 1944, dezesseis crianças do Abrigo contraíram sarampo, havendo, por parte da Diretoria, o entendimento de que era necessário criar-se uma enfermaria para os primeiros atendimentos na própria Instituição.

No dia 3 de janeiro de 1945, conforme a Ata n° 08/45, realizou-se uma reunião em que o assunto versou sobre a criação da enfermaria. Foi comentado pela Presidente, a qual solicitou apoio para concretização dessa idéia, o que foi recebido com muita simpatia pelos presentes.

De acordo com a Ata nº 17/46, de 29 de julho de 1946, a Sra. Presidente da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, apresentou a planta da Enfermaria à assistência, que a recebeu radiante por ver no papel o que se tornaria em breve realidade, ficando decidido a data de 7 de setembro do mesmo ano para o lançamento da pedra fundamental.

A Ata nº 18/46, de 7 de setembro de 1946, relata o registro de uma sessão Extraordinária, tendo por finalidade o lançamento da pedra fundamental da Enfermaria, sob a direção da Presidente Sra Florina da Silva e Souza, a qual passou a palavra ao Dr. Fernando do Ó, que, em brilhante alocução, disse das finalidades a que se propunha a Instituição, criando a Enfermaria.

Ainda falou o Sr. Mário Segala, em nome do Conselho Consultivo, e, em nome da Loja Maçônica, falou o Sr. Paulo Bortolaci. Pelo Instituto Espírita Leocádio José Corrêa, falou o Sr. Gabriel Nascimento, além do Sr. Manoel Veiga. Logo após foi dada a palavra à abrigada Atir Ribeiro que fez uma bonita oração, dizendo dos objetivos do Abrigo e agradecendo em nome de todas as abrigadas, o que o povo espírita e pessoas em geral, estavam fazendo pelo Abrigo.

No dia 14 de outubro de 1949, conforme a Ata nº 14/49, na presença de autoridades, representantes das Instituições Sociais e Espíritas, foi inaugurada a Enfermaria do Abrigo Instrução e Trabalho que foi nomeada com o nome de "Enfermaria Nenê Aquino Nessi".

..: Década de 1950: destaque para a saúde e educação das abrigadas

Dois anos após brilhantes e produtivos trabalhos da enfermaria, conforme Ata n° 19/51, de 31 de março de 1951, a Diretoria da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, se reuniu para tomar algumas deliberações, dentre as quais a de ampliar as atividades da Enfermaria "Nenê Aquino Nessi". Segundo consta na referida Ata, o Dr. Denizard da Silva e Souza havia se prontificado a atender, gratuitamente, aos que precisassem de serviços médicos, por isso a Direção da Entidade resolveu fundar o "Hospital Infantil Nenê Aquino Nessi".

 

Abrigo Espírita Instrução e Trabalho

 

Conforme a Ata nº 24/52, de 12 de outubro de 1952, foi lançada nesta data, a pedra fundamental do Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi", foi neste ano também que foi inaugurada a escola do Abrigo com a participação de autoridades educacionais do Município e do Estado do Rio Grande do Sul.

Segundo a Ata nº 01/53, de janeiro de 1953, o Dr. Denizard Souza foi eleito Diretor do Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi".

Em 26 de julho de 1959, em Assembléia Geral Extraordinária, foi tratada a Reforma Estatutária, conforme registro em Ata nº 145/59, sendo mudado o nome de Abrigo Espírita Instrução e Trabalho para "LAR DE JOAQUINA", em homenagem à sócia fundadora, Joaquina Flores Carvalho. Esta alteração de designação do Abrigo ocorreu na Presidência da Sra. Hilda Napoleão.

..: Década de 1960: destaque para a educação

Conforme a Ata nº 151/63, de 17 de fevereiro de 1963, para fazer frente a dificuldades que a Sociedade estava enfrentando, a Assembléia Geral autorizou a venda do prédio onde funcionava o Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi". Na mesma ocasião, foi autorizada a compra de uma casa na Rua Serafim Valandro, n° 469, que seria destinada para a geração de rendas através de aluguel e parte do numerário seria aplicado na ampliação da Sede, com o objetivo de melhorar as condições e permitir um maior número de abrigadas.

A Escola de 1º Grau Incompleto Instrução e Trabalho, com sede na Av. Presidente Vargas 1920, foi autorizada a funcionar pelo registro nº 42, de 06 de janeiro de 1966, da Secretaria de Educação (RS), e em 10 de abril do mesmo ano foi instalada junto à Escola Primária em curso pré-primário Jardim da Infância, a fim de ampliar seu âmbito de Assistência no Setor Educacional.

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Em breve estarão disponíveis os dados da década de 1970 em diante

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