..: Como surgiu a idéia da criação do LAR DE JOAQUINA
Segundo anotações históricas da Sociedade Espírita Estudo e Caridade (SEEC), em
09 de março de 1932 houve uma reunião mediúnica, onde comunicou-se um amigo
espiritual que dizia ser o humanitário Dr. Pantaleão. A certa altura da
comunicação, ele dizia:
Os pobres, os coxos, os cegos, os doentes da alma e do corpo aí estão aos vossos
cuidados. Urge que estendais a mão protetora. Ainda com dificuldade, não é
impossível.
Os espíritos não morrem e sentem como vós prazer em auxiliar as criancinhas que
sofrem... Avante! Os órfãos que não conhecem os carinhos paternos têm em vós a
esperança. Os indigentes progenitores que, rodeados de numerosos filhos, vão
perecer de um a um no erro, na ignorância, e levarão ao Pai uma oração por vós,
os protetores. O homem doente e sem recursos, minado da mais ingrata
enfermidade, verá em vós a mãe, a enfermeira, a protetora carinhosa e um bom
pensamento para baixar sobre vossos filhos a Paz, a Luz e a Proteção do
Senhor...
A comunicação mediúnica do humanitário Dr. Pantaleão, motivou um grupo de
criaturas formadas pela Diretoria da SEEC, com participação decisiva da Sra
Joaquina, como contam as anotações da SEEC:
Embora enfrentando dificuldades de várias naturezas iniciou os primeiros passos
para a criação de um modesto LAR, mas "Deus" que observava a sinceridade de seus
filhos, mandou-nos ao encontro uma Senhora de nome Joaquina Flores Carvalho
(Dona Quinota), que pôs à disposição seu único e humilde teto, localizado à Rua
Barão do Triúnfo, 185, e sua total participação para que a SEEC recolhesse ali
os pequeninos lírios nascidos no lodo do mundo e que ela (Dona Quinota) queria
com permissão da sociedade, cuidar das criancinhas ali recolhidas. Nossa alma
chorava de alegria, porque tudo vinha ao encontro de tão almejado desideratun
e foi então feita uma prece a Deus em agradecimento (palavras da Sra Florina da
Silva e Souza, uma das fundadoras da SEEC e do Abrigo).
Transcorridos alguns dias, em 31 de março de 1932 chegava de Silveira Martins,
uma Senhora cansada e doente, trazendo pela mão uma criança nas mesmas condições
citadas na mensagem. Declarou estar sem recursos, com o marido paralítico e um
filho tuberculoso, por isso nos entregava aquela filha (uma menina de oito
anos), que no mesmo dia ao entardecer foi recebida de braços abertos no humilde
teto de D. Quinota - Como era conhecida Dona Joaquina.
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Primeiras seis Internas do
Abrigo, localizado à Rua Barão do Triunfo, 1718 em Santa Maria/RS
(Residência de Senhora Joaquina Flores de Carvalho). Clique na figura para
ampliar. |
Era a primeira abrigada que chegava àquela casa lar, que foi nomeada de Abrigo
Espírita Instrução e Trabalho, nome escolhido pela Diretoria da SEEC. Destaca-se
a participação e o empenho na criação do abrigo pela Sra Florina da Silva e
Souza e demais membros da Diretoria da SEEC no ano de 1932.
..: Quem foi dona Joaquina
Joaquina Flores de Carvalho, (20/06/1869-16/07/1935) foi a 1ª Diretora do
Abrigo e dedicou-se inteiramente às atividades propostas, de forma a oferecer às
crianças necessitadas de assistência o conforto, o carinho e o Lar da melhor
forma que podia, substituindo integralmente os pais e familiares ausentes,
doentes ou falecidos. Foi casada com José Pedro Carvalho, não tendo filhos.
Segundo registro da SEEC, quando já era viúva (o esposo faleceu em 1923) vivia
em sua humilde casa, na Rua Barão do Triunfo, 1718 em Santa Maria. Por estar
passando por dificuldades, através de uma carta solicitou ajuda à Sra Florina da
Silva e Souza e esta foi levar-lhe auxílio exatamente três dias depois de
recebida a comunicação do Espírito que assinava Dr. Pantaleão. Após a visita,
que incluía o convite para D. Joaquina passar alguns tempos em sua residência,
contou-lhe sobre a comunicação que havia recebido. Após a reflexão de alguns
instantes, a Sra. Joaquina surpreende sua benfeitora com a oferta para a
utilização de sua casa por dez anos, gratuitamente, além de sua integral
participação nos trabalhos, para instalar ali o Abrigo. Dias depois, em 31 de
março de 1932, iniciaram-se as atividades propostas pela comunicação do
benfeitor espiritual Dr. Pantaleão. Em homenagem à doadora do local onde se
instalou o abrigo, o mesmo recebeu o nome de Lar de Joaquina, como é conhecido
até a presente data.
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Senhora Joaquina Flores de
Carvalho. Fundadora do Abrigo.
Clique na figura para ampliar. |
A casa não tem registros dos últimos tempos da
Sra. Joaquina. As últimas informações recebidas são de pessoas que conviveram
com ela no Abrigo, na situação de internos, como é o caso da Sra. Zulmira
Machado, primeira abrigada, e Olmira Machado, segunda abrigada, além da
Professora Orestina Mesquita, segunda professora do Abrigo a partir de 1935.
Segunda a profª Orestina, a frase "Minha filha, nunca esqueça que as pessoas têm
que ter honestidade, fé e força para praticar o bem" era freqüentemente
pronunciada pela Sra. Joaquina.
Joaquina faleceu aos 66 anos, acometida de câncer, e sua morte foi muito sentida
entre as internas e demais companheiros do Abrigo e da Sociedade mantenedora.
..: Quem foi Pantaleão José Pinto
Pantaleão José Pinto (30.05.1841-08.12.1906) era casado com Ana Becker e teve
cinco filhos.
Conforme a professora Ignês Sofia de Vargas, em artigo do jornal da SEEC, edição
abril/junho de 1997, pag. 3, Pantaleão José Pinto foi o primeiro santa-mariense
a formar-se em medicina, e era personalidade destacada da política e da vida
social de Santa Maria.
Pantaleão esteve nos campos de batalha do Paraguai como cirurgião das
ambulâncias para socorrer feridos. Terminada a campanha, Pantaleão retornou ao
curso no Rio de Janeiro, concluindo-o com uma tese sobre o colera morbus,
doença que muito tratou no Paraguai, por ocasião da guerra.
Republicano veemente, abdicou à Comenda da Rosa que lhe seria outorgada pelo
governo imperial.
Consta ainda em sua biografia que se bacharelou também em letras no colégio
Pedro II, no Rio de Janeiro, em 08 de dezembro de 1861. Em Santa Maria, o jovem
médico concentrou-se literalmente em sua profissão, exercendo a medicina
humanisticamente, sendo cognominado "o pai dos pobres".
Pantaleão José Pinto foi encontrado morto na rua Visconde de Pelotas entre as
ruas Venâncio Aires e Silva Jardim no dia 17 de julho de 1906, numa madrugada
muito fria e encontraram em seu bolso uma receita que mandaria preparar para uma
pessoa tuberculosa, possivelmente estaria voltando da casa do doente.
Sendo o Dr. Pantaleão Pinto homem muito estimado, sobretudo daqueles a quem ele
ajudava, no dia do seu desencarne, o público compareceu maciçamente ao seu
velório e sepultamento, manifestando suas derradeiras homenagens.
Em nossa cidade, a homenagem a Dr. Pantaleão vem através de nome de rua e de uma
instituição espírita da Aliança Espírita Santa-mariense. Na Sociedade Espírita
Estudo e Caridade, onde é tido como benfeitor espiritual, é muito considerado, e
vem se comunicando permanentemente nas reuniões mediúnicas. Para deixar sua
presença mais destacada, a SEEC expõe um retrato do Dr. Pantaleão, pintado pelo
artista plástico Eduardo Trevisan.
As anotações históricas da SEEC mostram que a comunicação mediúnica do espírito
Pantaleão José Pinto impulsionou a criação do Abrigo Espírita Instrução e
Trabalho. Ele é considerado um dos mentores espirituais da SEEC, pela simpatia e
comprometimento que vem demonstrando pelas atividades da instituição ao longo
dos anos. Desde a fundação da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade as
palavras " caridade e estudo" traduziram o pensamento inspirador das
fundadoras.
..: Inauguração oficial do Abrigo
Com a inauguração oficial do Abrigo, ficou selado o compromisso desta Entidade
que começa sua caminhada e segue com o tempo. Como vários documentos citam, o
início das atividades do Abrigo foi em 31 de março de 1932, mas somente em 31 de
março de 1933 foi inaugurado oficialmente, segundo as Atas 38/39 do ano de 1933.
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Foto datada de 31 de Março
1933, na inauguração do Abrigo. Clique na figura para ampliar. |
Por ocasião da inauguração, a Presidente da Sociedade Espírita Feminina Estudo e
Caridade era a Sra. Florina da Silva e Souza. A seguir transcrevem-se as duas
Atas na íntegra, que dão a idéia de sua estrutura inicial.
Ata 38/33
Aos vinte e seis dias do mês de fevereiro de 1933, tendo sido convocadas a
diretoria e todas as sócias da Sociedade Espírita Feminina 'Estudo e Caridade'
para comparecerem em casa de nossa cara e esforçada Irmã Presidenta Florina
Silva e Souza a fim de tratar-se assunto de máxima importância e não tendo
comparecido todas, resolvemos e com as poucas que estiveram presentes, o
seguinte: Inaugurar-se oficialmente a 31 de março próximo, o Abrigo denominado
'Instrução e Trabalho' que há um ano foi fundado sob os auspícios desta
sociedade e vem sendo pela mesma mantida, à Rua Barão do Triunfo, 185, em casa
de Sra. Joaquina Flores Carvalho que para tal fim a cedeu conforme contrato que
será lavrado entre a referida sociedade e esta dedicada Irmã que dirige esta
casa desde sua fundação com zelo e amor. Ficou resolvido também nesta reunião
que toda a pessoa que queira contribuir mensalmente para o Abrigo poderá fazê-lo
na importância que quiser mediante recibo. Como nada mais houve a tratar
encerramos a nossa palestra que para constar lavrei esta ata que será por todos
assinada. Florina da Silva e Souza, Crisolina Cristóvão, Maria Altina do Ó,
Nilza Gastal Bastides.
Ata 39/33
Nos trinta e um dias do mês de março de 1933, presente o representante do Sr.
Major Prefeito Municipal Orion Edler, representantes das Sociedades Espíritas
locais, feita a leitura do contrato entre a Sociedade Espírita Feminina Estudo e
Caridade e a proprietária do prédio em que funcionará o Abrigo, Sra Joaquina
Flores de Carvalho, foi dado por inaugurado o mesmo abrigo que tomou o nome de
'Instrução e Trabalho' cujo fim é recolher meninas órfãs ou desamparadas.
Falaram por ocasião desta ata os prezados irmãos, Dr Fernando do Ó e Sr.
Octacílio Carlos Aguiar, que, em palavras cheias de carinho, mimaram as irmãs
dirigentes da 'Estudo e Caridade' a prosseguirem nesta espinhosa jornada, hoje
encetada e fazendo votos a Deus pelo seu progresso. E para constar lavro a
presente ata, que será por todos assinada Orion Edler - Secretário Representante
do Projeto, Fernando do Ó, Octacílio Carlos Aguiar, Crisolina Cristovão,
Celanira Souza Schilling, Maria Altina do Ó, Nilza Gastal Bastide, Anita S.
Barão, Joaquina F. Carvalho, Glória Aguiar Siveira, Mimosa Aguiar, Zulma L. L.
Medina, Éster Costa Schroter, Elisabete Schroter, Maria Amélia Palma, Élvia P.
Silva, Octacílio Segala, Jenny P. da Silva, Celso Saldanha, Universina Pereira
Silva, Julieta Montebello, Alzira de Lima Monteiro, Catarina Montebello,
Francelina Maia, Evange Maia, Celenira Vargas, Aristides Lemos, Domingos Lemos,
Gabriel Luiz Fernandes, Leocádio Ferreira da Maia, Antonio da Silva, Alaídes R.
Carvalho, Jeni Pires, Itelvina dos Santos, Alfredo Luiz Silva, Herecilia
Nascimento, Antonio Joaquim Palma, Maria Eulina Flores, Judith Martins, Aline
Beck Eggers, Nena Fernandes, Daniel Cristovão, Victor Caiaffo, João F. Souza,
Laura Magno, Izaltina Bessa, Margarida da Rosa, Emma Schmidtt Pedrozo, Idelayres
Pereira da Silva, Dolores Pereira da Silva.
..: Objetivo do Abrigo
Desde o princípio, o objetivo do Abrigo foi o de transferir para a prática a
teoria da Doutrina Espírita aqui estudada e assimilada. Ao ser criado o
Abrigo, logo foram se definindo tarefas básicas a serem realizadas em favor dos
necessitados ali internados, tais como: Internato (Abrigo), Alimentação,
Cuidados Médicos e Odontológicos. Além disso, o Ensino Escolar e Instruções para
a vida, onde destacam-se: Bordado, Tricô, Crochê, Costura, Artes Domésticas,
entre outros. Por isso, desde o início pessoas bondosas como a Sra. Joaquina e
muitos outros voluntários, incluindo professores, médicos, dentistas e o Poder
Público nunca faltaram a este Lar, que até os dias atuais, numa caminhada de
mais de 70 anos e adequando-se à realidade do tempo, continua com os mesmos
propósitos.
Desde sua fundação, em 31 de março de 1932 até 31 de dezembro de 1997, período
em que o Lar manteve o regime de abrigo (internato), passaram por ele, como
consta do Livro de Registro de Internos da SEEC, mais de 600 abrigados, a
maioria com permanência prolongada na Entidade. É de se salientar também que
muitos abrigados adentraram ao Lar em tenra idade. Cada um desses abrigados
tiveram sua história particular nesta Casa.
Segundo a Ata n° 145 de 26 junho de 1959 da Assembléia Geral Extraordinária, o
Abrigo Instrução e Trabalho passou à denominação de LAR DE JOAQUINA, pelo
reconhecimento à Sra Joaquina Flores de Carvalho, pela sua influência na criação
do Abrigo e sua participação como primeira Diretora e trabalhadora assídua em
tempo integral, demonstrando sempre sua generosidade que era sua principal
característica.
-EVOLUÇÃO-
Os textos abaixo trazem a evolução do Lar de
Joaquina, quando ainda se chamava Abrigo Instrução e Trabalho,
..: Década de 1930:
amparo à criança abandonada
Como era de se esperar, os primeiros passos do Abrigo Espírita Instrução e
Trabalho que se desenvolveram na casa da Sra Joaquina, à Rua Barão do Triunfo,
n° 185, foram de muitas dificuldades, porém estimuladas pelo idealismo,
determinação e espírito solidário, com a causa da criança desamparada.
Foi em 31 de março de 1932 que a Sra. Florina da Silva e Souza e a Sra. Joaquina
Flores Carvalho colocaram em funcionamento o Abrigo, quando receberam de
Silveira Martins, a primeira abrigada, uma menina doente, nascida
em 01 de abril de 1924, então com 8 anos, filha de mãe doente e pai paralítico, e que
possuíam outros filhos, todos doentes.
Em 11 de junho de 1932 chegou ao Abrigo sua irmã, nascida em 08
de setembro de 1926, com 6
anos, segunda abrigada, também doente e em estado de miséria total.
Ambas foram tratadas com o máximo cuidado e muito
carinho pela generosa Sra. Joaquina, Dr. Antonio Victor Menna Barreto e Dr. Olegário Maya (médicos) e Dra
Praudelima H. Pinto (dentista), todos voluntários, que a partir desta época
passaram a atender aos internos do Abrigo por longo tempo.
Um ano após, em 31 de março de 1933, (Conforme consta da Ata n° 39/33), o Abrigo
foi inaugurado oficialmente, com a presença da Sra. Florina da Silva e Souza (
Presidente da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade), a Sra. Joaquina
Flores de Carvalho e outros companheiros já citados no Histórico.
Em 1934, foi organizada no Abrigo a primeira aula, sendo a primeira professora a
Senhorita Dolores Pereira da Silva. A aula inaugural aconteceu no dia 2 de maio
daquele ano, com as primeiras seis internas, sendo elas: Zulmira Machado, Olmira
Machado, Alexandra Machado, Maria Alda Ramos Moreira, Geni Coelho da Silva e Rita Aires da Silva.
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Primeiras seis internas do
Abrigo Espírita Instrução e Trabalho |
No ano seguinte foi construída uma sala para aula ao lado do Abrigo. A
senhorita Orestina Coelho substituiu a senhorita Dolores e deu continuidade como
voluntária, sendo a segunda professora por muitos anos.
Em 8 de julho de 1934, conforme a Ata n° 46/34, a Diretoria da Sociedade Espírita
Feminina Estudo e Caridade, foi reunida com o objetivo de tratar da compra de um
terreno para a construção de um prédio, onde pudesse dar mais amplitude ao
funcionamento do Abrigo Instrução e Trabalho.
Mesmo tendo à disposição a casa da Sra. Joaquina, por 10 anos cedida
gratuitamente, já havia a preocupação com a sede própria. Ficou acertado que uma
comissão de duas senhoras visitariam o Prefeito, visando a alguma colaboração
para o pretendido projeto.
Foram vários anos de trabalho e preocupação, principalmente após o falecimento
da Sra. Joaquina, ocorrido em 16 de julho de 1935, quando assumiram os encargos
as senhoras Luiza Souza e Orestina Coelho.
Em 08 de fevereiro de 1939, conforme a Ata n° 57/39, por ocasião da eleição da
nova Diretoria, foi resolvida a nomeação da Senhorita Glória Pereira para o
cargo de Diretora Assistente do Abrigo. Em 30 de março de 1939, conforme a Ata n°
58/39, o Abrigo foi incluído no Estatuto da Sociedade, fazendo constar que o
mesmo estava a seu encargo. Nesta ocasião também foi criado o Primeiro Conselho
Fiscal, composto pelos Senhores Ismael Valandro, João Souza, Octacílio Aguiar,
Alfredo Silva, Silvio Binato e Mário Segala.
É digno de nota que, em 21 de maio de 1939, conforme
a Ata n° 60/39, sob o
patrocínio da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, foi fundada a
Sociedade da Juventude Espírita de Santa Maria.
Em 06 de dezembro de 1939 conforme a Ata n° 62/39, aconteceu uma reunião convocada
pela Presidente eleita para a gestão de 1940, Sra. Florina da Silva e Souza, com
o objetivo de alugar para o ano de 1940, na Av. Ipiranga (Atual Av. Presidente
Vargas), uma casa com amplos dormitórios e, de acordo com as exigências da lei,
tendo em vista melhoramentos das abrigadas, quer moral, quer materialmente. Nesta
reunião compareceu também como convidado o Sr. Osvaldo Coelho, (que no nosso
entender deveria ter sido um dos familiares dos herdeiros da sucessão Bento
Paixão Coelho, proprietário da casa e terreno na Av.Ipiranga, n° 1920), que
estava sendo alugada para o funcionamento do Abrigo.
..: Década de 1940:
destaque para o conforto e bem estar
De acordo com a Ata n° 63/40, de 10 de janeiro de 1940, assumiu a Direção do
Abrigo a Sra. Deocila Dias Muniz.
Conforme Ata nº 64/40, de 15 de novembro de 1940,
foi inaugurado o consultório médico na Sociedade Espírita Feminina Estudo e
Caridade, mantenedora do Abrigo Instrução e Trabalho, para atender inicialmente
as abrigadas e alunos da Escola Municipal que funcionava no mesmo prédio. A
iniciativa teria sido do Dr. Amaury Lens e Antônio Victor Menna
Barreto, comparecendo ao Ato autoridades e pessoas em geral.
Em 15 de janeiro de 1941, conforme a Ata n° 65/41, assumiu a Direção do Abrigo a
Srª. Zulma de Oliveira.
Em 25 de março de 1943, segundo escritura pública, com registro no Cartório de
Registro de Imóveis, sob número 11.535, a Sociedade Espírita Feminina Estudo e
Caridade adquiriu sua sede própria à Av. Ipiranga, n° 1920, casa que vinha sendo
alugada desde 1940. A casa foi adquirida dos herdeiros de Bento Paixão Coelho, possuindo o
terreno 28,05m de frente por 119,90m de fundos, com uma casa em forma de chalé.
Em 1944, dezesseis crianças do Abrigo contraíram sarampo, havendo, por parte da
Diretoria, o entendimento de que era necessário criar-se uma enfermaria para os
primeiros atendimentos na própria Instituição.
No dia 3 de janeiro de 1945, conforme a Ata n° 08/45, realizou-se uma reunião em
que o assunto versou sobre a criação da enfermaria. Foi comentado pela
Presidente, a qual solicitou apoio para concretização dessa idéia, o que foi
recebido com muita simpatia pelos presentes.
De acordo com a Ata nº 17/46, de 29 de julho de 1946, a Sra. Presidente da
Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, apresentou a planta da
Enfermaria à assistência, que a recebeu radiante por ver no papel o que se
tornaria em breve realidade, ficando decidido a data de 7 de setembro do mesmo
ano para o lançamento da pedra fundamental.
A Ata nº 18/46, de 7 de setembro de 1946, relata o
registro de uma sessão Extraordinária, tendo por finalidade o lançamento da
pedra fundamental da Enfermaria, sob a direção da Presidente Sra Florina da Silva e Souza, a qual
passou a palavra ao Dr. Fernando do Ó, que, em brilhante alocução, disse das
finalidades a que se propunha a Instituição, criando a Enfermaria.
Ainda falou o Sr. Mário Segala, em nome do Conselho Consultivo, e, em nome da Loja
Maçônica, falou o Sr. Paulo Bortolaci. Pelo Instituto Espírita Leocádio José
Corrêa, falou o Sr. Gabriel Nascimento, além do Sr. Manoel Veiga. Logo após foi dada a palavra à abrigada Atir Ribeiro que fez uma bonita
oração, dizendo dos objetivos do Abrigo e agradecendo em nome de todas as
abrigadas, o que o povo espírita e pessoas em geral, estavam fazendo pelo Abrigo.
No dia 14 de outubro de 1949, conforme a Ata nº 14/49, na presença de autoridades,
representantes das Instituições Sociais e Espíritas, foi inaugurada a Enfermaria
do Abrigo Instrução e Trabalho que foi nomeada com o nome de "Enfermaria Nenê
Aquino Nessi".
..: Década de 1950:
destaque para
a saúde e educação das abrigadas
Dois anos após brilhantes e produtivos trabalhos da enfermaria, conforme Ata n°
19/51, de 31 de março de 1951, a Diretoria da Sociedade Espírita Feminina Estudo
e Caridade, se reuniu para tomar algumas deliberações, dentre as quais a de
ampliar as atividades da Enfermaria "Nenê Aquino Nessi". Segundo consta na
referida Ata, o Dr. Denizard da Silva e Souza havia se prontificado a atender,
gratuitamente, aos que precisassem de serviços médicos, por isso a Direção da
Entidade resolveu fundar o "Hospital Infantil Nenê Aquino Nessi".
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Abrigo Espírita Instrução e Trabalho |
Conforme a Ata nº 24/52, de 12 de outubro de 1952, foi lançada nesta data, a pedra
fundamental do Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi", foi neste ano também que
foi inaugurada a escola do Abrigo com a participação de autoridades educacionais
do Município e do Estado do Rio Grande do Sul.
Segundo a Ata nº 01/53, de janeiro de 1953, o Dr. Denizard Souza
foi eleito
Diretor do Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi".
Em 26 de julho de 1959, em Assembléia Geral Extraordinária, foi tratada
a
Reforma Estatutária, conforme registro em Ata nº 145/59, sendo mudado o nome de
Abrigo Espírita Instrução e Trabalho para "LAR DE JOAQUINA", em homenagem
à
sócia fundadora, Joaquina Flores Carvalho. Esta
alteração de designação do Abrigo ocorreu na Presidência da Sra. Hilda Napoleão.
..: Década de 1960:
destaque para
a educação
Conforme a Ata nº 151/63, de 17 de fevereiro de 1963, para fazer frente a
dificuldades que a Sociedade estava enfrentando, a Assembléia Geral autorizou a
venda do prédio onde funcionava o Hospital Infantil "Nenê Aquino Nessi". Na
mesma ocasião, foi autorizada a compra de uma casa na Rua Serafim Valandro, n°
469, que seria destinada para a geração de rendas através de aluguel e parte do
numerário seria aplicado na ampliação da Sede, com o objetivo de melhorar as
condições e permitir um maior número de abrigadas.
A Escola de 1º Grau Incompleto Instrução e Trabalho, com sede na Av. Presidente
Vargas 1920, foi autorizada a funcionar pelo registro nº 42, de 06 de janeiro de
1966, da Secretaria de Educação (RS), e em 10 de abril do mesmo ano foi
instalada junto à Escola Primária em curso pré-primário Jardim da Infância, a
fim de ampliar seu âmbito de Assistência no Setor Educacional.
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Em breve estarão disponíveis os dados da década de
1970 em diante
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