A Sociedade Espírita Estudo e Caridade conta com todos os livros de registros das atas de todas as reuniões realizadas, desde sua fundação em 13 de abril de 1927 até os dias de hoje. Assim, estes documentos históricos são as principais fontes para o conhecimento da evolução do trabalho realizado na Instituição. A história abaixo relatada se ampara nesses documentos, que se encontram na sede da SEEC.
..: Fundação da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade: Década de 1920 O Grupo Caridade e Estudo teve início em 1927, e, um ano após, foi renomeada para Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade. Pela importância de se conhecer a origem documentada da Instituição, transcreve-se na íntegra a Ata da fundação da Entidade:
Acta n° 1 Aos treze dias do mês de abril de mil novecentos e vinte e sete, dia esse em que recebemos a grande graça de fundar um grupo espírita de senhoras, o qual tomou o nome "Caridade e Estudo". Caridade, por termos assumido, perante Deus, o compromisso de ajudarmos tanto quanto possível, aos irmãos que sofrem sem distinção; Estudo, por termos sêde do saber. Circundadas e amparadas pelo nosso guia, José Bonifácio, elegemos a directoria que deve ser hoje empossada e cuja a gestão será de trinta dias apenas. Assim foi eleita a primeira directoria: Presidente: Ermelina Aquino Nessi Vice-Presidente: Leodolphina Weimann da Fonseca 1ª Secretária: Geni Tubino Grott 2ª Secretária: Praudelima Hevé Pinto 1ª Thesoureira: Francisca Agradey 2ª Thesoureira: Maria Tinoca d´Ó Na mesma ocasião recebeu o nosso irmão Fernando d´Ó uma comunicação de Guilhermina de Almeida que com as mais bellas palavras nos veio exortar a prática da caridade e amor ao nosso próximo. Recebemos ainda por escrito pela nossa irmã, a comunicação abaixo do nosso carinhoso guia.
"Queridas filhas, podeis trabalhar que a proteção de Deus e seus delegados acham-se convosco. Está presente vosso Protector que procura esclarecer e iluminar vossos espíritos. Trabalhai unidas, que as bençãos e as luzes irradiarão sobre vós. Esperai sempre com fé e amor as instruções necessárias que nunca vos hão de faltar. Assim procurai trabalhar em benefício dos soffredores que Deus vos recompensará e os espíritos amigos se rejubilarão com o vosso esforço, procurai em commum accordo formar a directoria que regerá os destinos deste novo meio. Que Deus vos inspire, e que Jesus e os vosso Protectores os auxiliem em vossas dificuldades. Sou Proctetor e Guia de vossos trabalhos, um dos mais pequenos no Espaço porém de boa vontade e que em tudo vos auxiliará. Avante, filhas, avante e tudo vos será facil." (José Bonifácio) De tudo, para constar, foi lavrada a presente acta que vai por mim, Jeny Tubino Grott, assignada e pelos demais membros presentes:
Ermelina Aquino Nessi, Leodolphina Weimmann da Fonseca, Jeny Tubino Grott, Nilza Gastal Bastide, Praudelima Hevé Pinto, Universina Pereira da Silva, Florina da Silva e Souza, Maria das Dores Brechman, Francisca Agradey, Celinia Barreto Sá, Malvina Weimmann, Cecy Sá Nonohay, Carolina Weimmann Druck.
A seguir, durante o ano de 1927 houveram várias reuniões e várias diretorias provisórias se sucederam, a fim de integrar todas as participantes no processo administrativo. No decorrer daquele ano, muitas idéias, decisões e comunicações nortearam os primeiros passos desta abençoada Casa. Segundo a Ata n° 19, de 14 de janeiro de 1928, aparece pela primeira vez o nome da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade e também a definição de mandato para todo o ano de 1928, pela mesma diretoria eleita nesta data. Na Ata n° 20, de 18 de janeiro de 1928, fica esclarecido que a diretoria eleita pela Ata n° 19 acima citada, era a primeira diretoria definitiva da Sociedade Espírita, sendo empossada:
Presidente: Nenê Aquino Nessi Vice-Presidente: Nenê Graffenberg 1ª Secretária: Aracy B. Sacchis 2ª Secretária: Gemina Hausen 1ª Thesoureira: Nilza Bastide 2ª Thesoureira: Maria Altina do Ó
..: Inauguração do Abrigo Espírita Instrução e Trabalho Já em 31 de março de 1933, ocorreu um fato marcante na história da SEEC: a inauguração oficial do Abrigo Espírita Instrução e Trabalho, segundo a Ata n° 38/33 de 26 de fevereiro de 1933 e que vinha funcionando há um ano sem os registros oficiais devidos. Embora com dificuldades, desde o início aquele grupo de senhoras, fundadoras desta Sociedade e demais participantes da Doutrina Espírita, incluindo o Dr. Fernando do Ó e o Sr. Octacilio de Aguiar, considerados de grande expressão no movimento espírita da época, entre outros, começaram a desenvolver a primeira atividade Espírita nesta Sociedade que foi a criação do grupo de estudos e mediúnica as quartas-feiras, grupo este existente até os dias atuais, constituindo-se no grupo de estudos espíritas e mediúnico mais antigo da Instituição. Ao longo do tempo, os trabalhos foram sendo ampliados. A Casa recebeu sede própria e os integrantes da Sociedade foram se sucedendo. As novas gerações deram continuidade aos ideais propostos pelos fundadores.
..: Década de 1970: o cinqüentenário da Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade Em 1977, a Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, comemorou os seus 50 anos de fundação com uma intensa programação. Neste período também muitos sonhos e projetos foram pensados para o futuro da Instituição. Uma decisão importante foi a alteração estatutária de 1979, em que a então Sociedade Espírita Feminina Estudo e Caridade, deixa de ser uma entidade formada somente por sócias efetivas femininas e abre espaço para os sócios efetivos masculinos, que até então eram apenas sócios colaboradores. Passa a denominar-se Sociedade Espírita Estudo e Caridade.
A conseqüência imediata desta alteração estatutária foi um fortalecimento da Sociedade com a composição do Conselho Deliberativo e Diretoria integrada por homens e mulheres. No mesmo ano foi eleito presidente da Sociedade o primeiro conselheiro homem, o Sr. Juarez Weiss.
..: Década de 1980: impulso nas atividades espíritas e início da idealização do novo prédio para o Lar de Joaquina Dentre as várias deliberações tomadas com vistas ao progresso da Sociedade em sintonia com o seu tempo, no ano de 1980 foi tomada a deliberação de Filiar a Sociedade Espírita Estudo e Caridade à Federação Espírita do Rio Grande do Sul. Neste mesmo ano, a Sociedade passou a integrar o quadro federativo estadual. Entretanto, a Sociedade Espírita Estudo e Caridade continuava mantendo seus laços fraternos e cordiais com todas as Instituições espíritas co-irmãs não integrantes do quadro federativo. Também a partir da década de 1980 a Sociedade teve um grande impulso nas atividades espíritas. Foi inaugurado um novo espaço para a realização das reuniões públicas de estudos do espiritismo de fácil acesso as pessoas. Local este que foi ampliado em 1987 devido ao aumento de freqüência de público. O antigo Departamento Doutrinário passou a denominar-se Departamento de Cultura Espírita. Novos grupos de estudos foram criados, o que contribuiu para uma grande renovação no grupo de trabalhadores da Casa. Estes grupos contribuíram também com novos colaboradores para os diversos setores da administração, seja no âmbito das atividades espíritas, seja na assistência social e educacional desenvolvida pelo Lar de Joaquina e Escola, respectivamente. Também nesta década a diretoria e conselho deliberativo em assembléia decidiram iniciar os primeiros estudos e o primeiro projeto do novo prédio da Escola Instrução e Trabalho, hoje Escola de Ensino Fundamental Lar de Joaquina (Coordenação de ensino). A primeira providência tomada foi verificar a legislação regulamentadora para construção de prédios escolares junto ao setor de prédios escolares da 8ª Delegacia de Educação e Código de Obras da Prefeitura Municipal de Santa Maria. Em 1982 foi apresentado ao Conselho Deliberativo o primeiro pré-projeto da referida edificação, tendo sido aprovado pelo Conselho.
..: Década de 1990: a reestruturação da SEEC e do Lar de Joaquina Na década de 1990, a Sociedade Espírita Estudo e Caridade, mantenedora do Lar de Joaquina e da Escola Instrução e Trabalho, teve grande evolução em sua estrutura organizacional, com várias mudanças em seus Estatuto e respectivo Regimento Interno, proporcionando, assim, que a Instituição evoluísse e se modernizasse de acordo com a realidade temporal. Os fins principais desta Instituição é o estudo, a prática e a difusão do espiritismo fundamentado nas obras codificadas por Allan Kardec, e a assistência social e educacional representada pelo Lar de Joaquina e a Escola. Nesta década, o desenvolvimento da Doutrina Espírita, coordenado pelo Departamento de Cultura Espírita, continuou seu desenvolvimento de forma acentuada, culminando com a criação de novas reuniões públicas, grupos de estudos e a educação espírita infanto-juvenil formada por grupos de crianças e de juventude, divididos em ciclos e por faixa etária. Foi em 1997, por uma proposta da Diretoria, conforme Ata n° 19/97, de 01/11/1997, que o Conselho Deliberativo aprovou, para o próximo ano, a suspensão das atividades de abrigo (internato), que vinha sendo oferecido pelo Lar (Abrigo) desde a sua fundação em 1932, em adequação ao Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal n° 8.069, de 13/07/90). Outra decisão de importância foi a reestruturação do organograma da SEEC, proposto pela Diretoria e aprovado pelo Conselho Deliberativo, conforme Ata n° 4/97, de 17/11/97, que remodelou a estrutura administrativa, reorganização dos Departamentos e respectivos Setores, entre eles, o Departamento de Geração de Rendas, que veio unir os diversos pontos emergentes de obtenção de receitas para a Instituição. O referido Departamento tinha a proposta de, a médio prazo, conquistar uma relativa autonomia financeira e, com isso, viabilizar o funcionamento da Instituição mesmo quando o auxílio externo se mostrasse insuficiente. Outro acontecimento de valor histórico foi o lançamento pela Diretoria da SEEC, em 1997, da pedra fundamental da Construção do Novo Prédio do Lar de Joaquina, que teve seu início em 1998.
..: Década de 2000: a SEEC na atualidade Nesta década, a SEEC continua sua dinâmica de trabalho e novas alterações estatutárias e regimentais foram necessárias. A primeira alteração estatutária foi a que trouxe a mudança do nome da Escola Instrução e Trabalho, que passou a denominar-se Escola de Ensino Fundamental Lar de Joaquina, por exigência da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Houve a criação de duas Coordenações, uma de Ensino, representada pela Escola, e outra de Assistência Social, que correspondia ao Lar de Joaquina. Hoje a parte educacional e a parte assistencial formam o LAR DE JOAQUINA, de acordo com reforma estatutária realizada em outubro de 2001. Em 18 de outubro de 2003, houve nova assembléia geral para adaptações do Estatuto social ao novo Código Civil. Dentre as modificações mais significativas constaram a extinção do Conselho Deliberativo e a criação do Conselho Fiscal. A administração da Sociedade passou a ser formada pela Diretoria e Conselho Fiscal, eleitos diretamente pela Assembléia Geral dos associados efetivos. Segundo o Estatuto, o presidente e os vices-presidente (1º e 2º) devem ser eleitos em Assembléia Geral e Conselho Fiscal, sendo este formado por três titulares e três suplentes. Ao 1° Vice-Presidente, além de ser o substituto do presidente em seus impedimentos, cabe-lhe a supervisão de todas as atividades relativas à doutrina espírita na Instituição. Ao 2° Vice-Presidente cabe a administração de todas as atividades da Assistência e Promoção Social da Instituição, tendo sob seu comando o Lar de Joaquina e as Coordenadorias de Ensino e de Assistência Social e todos os Setores das duas coordenadorias. Todos os Departamentos são administrados por um Diretor e um Vice-Diretor que tem a seu comando os respectivos Setores, estes dirigidos por Coordenadores, que contam com a colaboração de voluntários para a realização das tarefas necessárias da Instituição. Os cargos eletivos e os cargos de Diretores e Vice-Diretores de Departamentos são preenchidos por associados efetivos, sem remuneração de espécie alguma. Para a execução das diversas tarefas, principalmente na Assistência e Promoção Social, conta-se com voluntários, estagiários (Convênio CIEE) e funcionários, além de professores cedidos pela Prefeitura Municipal.
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